
Um estudo publicado no periódico científico Med aponta uma associação entre a exposição ao DEHP, um plastificante utilizado em determinados produtos plásticos, durante a gravidez e a presença de características relacionadas ao transtorno do espectro autista (TEA) e ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) na infância. A pesquisa acompanhou 847 gestantes e seus filhos, avaliando a exposição à substância e aspectos do comportamento das crianças aos 2 e 4 anos.
Os pesquisadores identificaram alterações na metilação do DNA em recém-nascidos, processo que influencia a atividade dos genes sem modificar sua sequência. Segundo a análise, essas mudanças envolveram redes genéticas relacionadas ao desenvolvimento do cérebro, à atenção, às emoções e ao comportamento social. Ao todo, foram identificados 531 genes associados à exposição ao plastificante, sendo que parte deles já havia sido relacionada ao desenvolvimento neurológico e a características de TEA e TDAH.
Entre as crianças avaliadas, aquelas cujas mães apresentaram maior exposição ao DEHP durante a gestação tiveram mais sinais comportamentais relacionados à desatenção, hiperatividade e dificuldades de interação social. O estudo também observou que uma alimentação baseada em alimentos integrais durante a gravidez esteve associada a menos problemas de atenção e melhor interação social na infância.
Apesar dos resultados, os próprios pesquisadores destacam que a pesquisa não comprova que o DEHP cause autismo ou TDAH. Os dados demonstram uma associação e indicam um possível mecanismo biológico que merece ser investigado em estudos futuros. A exposição a ftalatos pode ocorrer por diferentes vias, incluindo ingestão, inalação e contato com a pele, e os autores defendem novas pesquisas para compreender melhor os possíveis efeitos dessas substâncias durante o desenvolvimento pré-natal.





